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Escola Grasso 404 – Aí Está O Problema
Lory estava andando pelo corredor quando, de repente, Johnny surge na frente dela, bloqueando o caminho.
Ela trava por um segundo, surpresa, mas logo fecha a expressão.
— O que você quer?
Johnny não responde na hora. Ele só a encara, como se estivesse tentando entender alguma coisa. Então dá um passo mais perto.
— Por que você tá me evitando?
Lory desvia o olhar, incomodada.
— Você sabe por quê.
— Não, não sei. — ele insiste, a voz mais baixa — Depois do que aconteceu, você simplesmente sumiu.
Ela solta um suspiro tenso e cruza os braços, como se estivesse se protegendo.
— Eu tenho namorado, Johnny. Eu não quero confusão.
Ele dá um sorriso.
— Engraçado… porque quando você veio atrás de mim, isso não parecia ser um problema.
Lory aperta os lábios, visivelmente afetada.
— A gente tinha terminado.
— E agora?
— A gente voltou.
O silêncio que vem depois pesa. Johnny passa a mão no cabelo, frustrado, e se aproxima mais um pouco, diminuindo o espaço entre eles.
— Você tava confusa… ou tava sendo sincera comigo?
Ela hesita. Por um instante, parece que vai responder.
— Eu… — ela desvia o olhar — eu não devia ter feito aquilo.
Johnny solta uma risada baixa.
— Isso não responde.
Ele inclina levemente a cabeça, tentando encontrar o olhar dela de novo.
— Eu gosto de você, Lory. Não foi qualquer coisa pra mim.
Ela respira fundo, claramente abalada.
— Pra mim também não foi… — ela para, se corrigindo rápido — mas não muda nada.
Johnny se aproxima ainda mais, agora perto o suficiente pra forçá-la a encará-lo.
— Então fala olhando pra mim.
Lory levanta o olhar, presa no dele. O clima fica carregado, como se o resto do corredor nem existisse.
— Fala que não significou nada. — a voz dele sai mais baixa — Fala que você não sente nada por mim... E eu sumo da sua vida.
Ela fica em silêncio. Os olhos vacilam, a respiração descompassa. Por um segundo longo demais, parece que ela vai ceder.
Mas não cede.
Lory dá um passo para trás, quebrando a proximidade.
— Eu tenho namorado.
Johnny a encara, frustrado e magoado ao mesmo tempo.
— Isso não foi o que eu perguntei.
Ela segura o olhar dele por mais um instante… e então desvia.
Sem dizer mais nada, ela passa por ele e vai embora.
Johnny fica parado, observando, como se ainda esperasse que ela voltasse.
Mais à frente no corredor, Dani assiste a tudo, com uma expressão desconfiada.
Peter anda pelo hall de entrada da escola, distraído. Mais à frente, Nicole distribui panfletos da feira mensal de atrações da escola. Ao vê-lo, ela abre um leve sorriso.
— Peter. — ela estende um panfleto — Toda a renda vai pro musical.
Ele pega o papel, quase sem olhar, e continua andando ao lado dela.
— Legal… — disse, meio automático — Eu reservei a sala de música pra depois da aula. Vou fazer um show.
Nicole nem diminui o passo.
— Eu sei. — respondeu, tranquila — Mas eu mudei sua apresentação pro horário do almoço.
Peter para na hora e olha pra ela, surpreso.
— Como é?
Nicole também para, cruzando os braços, firme.
— Como organizadora da feira, eu tenho esse poder.
Peter inclina a cabeça, meio incrédulo.
— Isso é algum tipo de punição? Eu quebrei alguma regra secreta? A Grasso virou uma ditadura agora?
Nicole dá alguns passos para trás, sem perder a postura.
— Não. Eu só reorganizei os horários pra dar tempo da banda marcial se apresentar. — ela dá de ombros — Ordens do Daniel.
Ela se vira e começa a ir embora, sem esperar resposta.
Peter fica parado, observando ela se afastar.
Di se aproxima por trás e encosta de leve no ombro dele.
— Nicole Zangirolami? Boa sorte com isso.
Peter não desvia o olhar de Nicole.
— É…
Di dá uma risada curta.
Ele sai, deixando Peter sozinho.
Peter solta um riso baixo, confiante.
Na hora do almoço, Lory está sentada com Nina e Ana. As três observam, de longe, Paola e Biel juntos.
Nina revira os olhos, incomodada.
— Desde que o Biel veio estudar na Grasso, a Paola meio que esqueceu a gente.
Lory dá um sorrisinho de canto, tentando não parecer tão afetada.
— Ah, ela só tá curtindo o namorado.
Ana lança um olhar rápido pra Lory, meio desconfiada.
— Você não fica grudada no Dani assim.
Lory hesita por um instante e desvia o olhar, mexendo no celular.
— Não… mas ele também vive ocupado com o time.
Nina percebe o clima e decide mudar de assunto, abrindo um sorriso leve.
— Enfim… você vai mesmo cortar o cabelo?
Lory se anima na hora, deixando o clima pesado pra trás.
— Vou, sim.
Ana apoia o queixo na mão, curiosa.
— E o que corte você vai fazer?
Lory sorri, agora com um brilho mais confiante.
— Surpresa. Vocês só vão ver amanhã.
Nina arregala os olhos, animada.
— Ai, eu odeio surpresa… mas já tô curiosa.
As três riem.
Peter está decorando o armário de Nicole quando ela se aproxima pelo corredor. Ao ver a cena, ela para na hora, surpresa… e irritada.
— Que merda é essa?
Peter se vira, todo sorridente, claramente satisfeito com o próprio esforço.
— Fiz uma reserva no Lindoya para sexta-feira. — ele aponta pro armário decorado — É o melhor restaurante da cidade. O que você acha?
Nicole cruza os braços, nada impressionada.
— Obrigada… mas não. Eu trabalho na sexta. Parece que todo mundo resolveu marcar encontro justo nesse dia.
Peter dá de ombros, relaxado.
— Você não pode pedir pra alguém te cobrir?
Nicole levanta o olhar pra ele, firme.
— Sério, Peter? Você mal me conhece. E, definitivamente, eu não sou o seu tipo.
Ele dá um passo mais perto, sem perder o sorriso.
— Então eu te desafio.
Nicole estreita os olhos, já perdendo a paciência.
— Isso é mais uma das suas cantadas? Porque, olha… suas namoradas ou tão desesperadas, tipo a Bia… ou simplesmente não se valorizam.
O sorriso de Peter diminui.
— Ei, a Bia é legal.
Nicole solta um riso irônico.
— A Bia é uma planta. Não tem opinião própria. — ela se inclina um pouco, provocando — Você gosta de coisa fácil, né? Que não dá trabalho… então namore um Honda.
Carol prende o riso ao lado.
Nicole se afasta sem olhar pra trás, deixando Peter parado, meio surpreso… mas ainda intrigado.
Lory sai do salão de beleza com algumas sacolas nas mãos. O cabelo agora está na altura dos ombros, com franja. Ela dá alguns passos quando, de repente, começa a chover forte.
— Sério? — murmura, já começando a correr pela rua.
Na pressa, acaba esbarrando em alguém.
— Opa, opa… devagar.
Ela nem precisa olhar duas vezes pra reconhecer.
— Ai, sério… — revira os olhos — Sai da minha frente, Johnny.
Ele a observa por um segundo, analisando.
— Gostei do novo visual.
— Que bom.
Ela tenta passar, mas ele dá um passo pro lado, ainda na frente dela.
— Qual é o problema?
Lory solta um suspiro irritada, ajeitando as sacolas.
— O problema é que está caindo um temporal e você tá me impedindo de ir pra casa.
Como se fosse combinado, a chuva começa a diminuir até parar.
Johnny ergue uma sobrancelha, olhando ao redor.
— Parou de chover… e você já tá completamente encharcada.
Lory lança um olhar afiado pra ele.
— Nossa, nem tinha percebido. Obrigada pela informação, gênio.
Ela olha em volta, inquieta, como se estivesse esperando alguém.
Johnny percebe.
— Tá procurando quem?
Ela o encara, rápida demais.
— Ninguém.
Ele solta um sorrisinho de lado.
— Lory… para. Qual é o problema, além de você estar toda molhada?
Ela respira fundo, claramente sem paciência.
— Eu só preciso ir pra casa, tá?
Johnny olha para o céu por um instante, abre o guarda-chuva e o estende na direção dela, pega o guarda-chuva e me dê essas sacolas, eu te acompanho até sua casa.
Lory franze a testa.
— Você não precisa fazer isso. Eu não pedi. Eu consigo chegar em casa sozinha.
— Tá frio, você tá encharcada… eu só não quero que você piore e fique doente.
Por um momento, Lory hesita. Depois pega o guarda-chuva.
— Tá… obrigada.
— De nada.
Eles ficam em silêncio por alguns segundos.
Johnny quebra o silêncio:
— E aí… tá tudo bem?
Lory demora um pouco pra responder, mas acaba dando um pequeno sorriso.
— Tá, sim. Tudo bem.
— Ainda quer ir pra Oxford?
Ela olha pra frente, como se aquilo fosse importante demais pra brincar.
— Quero.
Johnny sorri de leve.
— Que bom.
Ela retribui, mas o sorriso dura pouco.
— É… que bom.
O celular dela vibra. Lory olha a tela.
— É o Dani.
Johnny desvia o olhar, o clima muda na hora.
— Imaginei.
Ela lê a mensagem rápido e guarda o celular.
— Eu tinha chamado ele mais cedo pra me ajudar… ele só viu agora. Tá vindo.
— Te ajudar — Johnny completa, mais sério.
— É.
Um silêncio curto, mas pesado.
— Então… é melhor eu ir — ele falou, já se afastando um pouco.
— É.
Os dois se encaram por um instante que parece longo demais.
De repente, a chuva volta com força.
Johnny sai correndo em direção à casa dele. Lory abre o guarda-chuva, mas não se mexe.
Ela fica ali, parada, observando ele até desaparecer lá dentro.
Peter está no quarto, sentado diante do computador, concentrado na tela. A porta se abre sem bater, e sua irmã, Francini, entra.
— Que tipo de ajuda você quer?
Ele nem desvia o olhar.
— Preciso que você me ajude. Quero todas as informações possíveis sobre a Nicole Zangirolami.
Franci levanta uma sobrancelha, intrigada.
— A rainha das bruxas da Grasso? — ela solta um riso curto — Por quê?
Peter finalmente se vira pra ela.
— Porque ela disse que eu não conheço ela. — ele volta a encarar o computador — E, sinceramente… ela tá certa. Eu sigo no Instagram, mas não tem quase nada útil.
Franci se joga na cama.
— Então você tá stalkeando ela? Que feio.
Peter ignora o comentário e aponta pra tela.
— Olha isso. Ela é faixa amarela em taekwondo.
Franci solta um suspiro dramático.
— Ah, não… lá vamos nós de novo. Isso nunca acaba bem pra você. Lembra do Tom?
Peter revira os olhos.
— O Tom já passou.
Ele volta a focar na tela. Franci cruza as pernas, se ajeitando melhor.
— “Já passou”? Você ficou mal por semanas.
Peter se levanta, impaciente.
— Por favor, Francis. Eu preciso da sua ajuda.
Ela observa ele por um segundo… e abre um sorriso de canto.
— Tá. Eu vou ficar aqui até domingo mesmo. O que você quer saber?
Peter sorri, animado, como se já tivesse um plano.
Mais tarde, Lory e Ana estão caminhando pela rua.
— Amanhã não dá. A Agnes vai lá em casa, a gente tem um trabalho de português pra fazer — disse Lory.
Ana olha pra ela, pensando.
— Então vamos hoje à tarde?
Elas passam em frente à casa de Johnny. Lory diminui o passo por um instante, olhando.
Ana percebe na hora.
— Você sabe quem mora aí?
— Sei.
— Quem?
— O Johnny.
Ana faz uma careta.
— Credo.
Nesse momento, Johnny aparece, vindo na direção delas. O olhar dele vai direto pra Lory.
— Oi.
Lory tenta agir normalmente.
— Oi.
Johnny olha pra Ana.
— Oi, Ana.
Ela revira os olhos.
— Oi pra você também, valentão.
Ele franze a testa, confuso.
— O quê?
Lory cutuca o braço da amiga, em alerta.
— Ana…
Johnny encara Ana, agora mais sério.
— Tem algum problema?
— Não… — Lory tenta cortar.
— Tem, sim — Ana interrompe, firme. — Eu não gosto de você.
Johnny solta um sorrisinho irônico.
— Eu sei.
Ana cruza os braços e olha pra casa dele com desprezo.
— Sério… como seus pais conseguiram uma casa dessas?
— Comprando — ele respondeu, seco.
Ana ergue as sobrancelhas, provocando.
— Sério? Achei que tinham construído com material roubado.
O clima pesa na hora. Johnny fecha a cara.
— Qual é o seu problema?
— Você é o meu problema.
Ele solta o ar, irritado, e olha pra Lory.
— Eu vou entrar.
Ele começa a se afastar.
Ana levanta a voz atrás dele:
— Isso, vai mesmo. Ninguém liga pra você.
Johnny para e se vira, já sem paciência.
— Cala a boca.
Lory dá um passo à frente, tentando evitar que piore.
— Johnny, é melhor você entrar.
Ele olha pra ela, incomodado.
— Eu não comecei isso.
Ana dá um sorriso debochado.
— Começou, sim. Quando fazia bullying com a Nina no nono ano.
Johnny passa a mão no rosto, irritado, e olha pra Lory.
— Fala pra sua amiga parar de encher.
Lory cruza os braços, encarando ele de volta.
— Para de encher você.
— Eu tô tentando ir embora.
— Então vai — ela respondeu, seca.
Ele a encara por um momento, magoado e irritado ao mesmo tempo. Depois olha de novo pra Ana.
— Quer saber? Eu já tô de saco cheio disso. Você me julga por coisa de dois anos atrás… e anda com a Nicole, que faz muito pior.
Lory se irrita na hora.
— Cala a boca e vai embora.
Johnny volta o olhar pra ela, mais frio.
— Com prazer.
Lory solta o ar com força e vira pra Ana.
— Vamos.
Ana dá de ombros.
— Com prazer.
Antes de ir embora, Lory ainda olha na para ele… e levanta o dedo do meio, irritada.
Ana e Lory continuam andando pela rua. Ana ainda está claramente irritada, andando mais rápido que o normal.
— Que garoto insuportável.
Lory olha pra ela de lado, segurando um sorrisinho.
— Eu sei o que vai te fazer se acalmar.
Ana olha de volta, desconfiada.
— O quê?
Lory se aproxima um pouco, como se fosse contar um segredo.
— A gente podia jogar ovos podres na casa do Johnny.
Ana para de andar na hora e encara Lory, surpresa.
— Você tá falando sério?
Lory olha para Ana, ainda sorrindo.
— Tô. Mais tarde a rua fica vazia, não passa ninguém… a gente só cobre o rosto e pronto.
Ana arregala os olhos, meio chocada, meio tentada.
— Cobrir o rosto? Tipo… criminosas?
Lory segura o riso.
— Exatamente.
Ana cruza os braços, tentando parecer contra, mas claramente considerando a ideia.
— E de onde a gente vai tirar ovos podres?
Lory inclina a cabeça, com um sorrisinho surgindo.
— Eu sei exatamente onde conseguir.
Mais tarde, a rua está completamente vazia. Lory e Ana caminham devagar, com lenços cobrindo parte do rosto, olhando para os lados. Lory carrega uma cesta com ovos.
— Vamos — sussurrou Lory.
Ana olha pra ela, desconfiada.
— Onde você conseguiu esses ovos podres?
Lory responde, também em voz baixa:
— Com o Dani. São do mercado do Miguel, iam ser jogados fora.
Elas param em frente à casa de Johnny. Por um segundo, trocam um olhar cúmplice.
Lory pega um ovo e lança no quintal.
Ela segura o riso.
— Meu Deus… isso é muito bom.
Ana pega um também e joga, já mais confiante.
Lory olha pra ela, animada.
— E aí? Qual é a sensação?
Ana abre um sorriso.
— Incrível.
Lory joga outro.
— Viciante, né?
As duas começam a rir baixinho, jogando mais ovos, uma atrás da outra, até a cesta ficar vazia.
De repente, a luz da área externa da casa acende.
As duas congelam.
A porta se abre com força, e um homem sai, furioso.
— EI! Parem com isso, seus delinquentes!
Lory arregala os olhos.
— Corre!
As duas saem disparadas pela rua, rindo e gritando ao mesmo tempo, enquanto o homem ainda xinga atrás delas.
Peter entra no Luca’s e logo vê Nicole. Ele respira fundo e se aproxima, tentando parecer confiante.
— Nicole… esquece aquele restaurante chique. Que tal a gente comer uma pizza agora? — ele sorri — Pode ser de cogumelos, é a minha favorita.
Nicole o olha com certa desconfiança.
Peter tenta manter a naturalidade, olha ao redor e aponta para uma mesa.
— Vamos sentar ali?
Ela hesita por um segundo… e aceita.
— Tá.
Os dois se sentam. Nicole apoia os braços na mesa e observa ele com atenção.
— Você gosta mesmo de pizza de cogumelos?
— Claro. — ele respondeu rápido demais — Aliás, posso até pedir uma agora.
Nicole sorri de leve, mas ainda analisando.
— Engraçado… a gente tem muitos amigos em comum, né?
Peter dá um sorriso meio travado.
— Temos, sim.
Ela inclina a cabeça, direta:
— Amigos que poderiam te contar que eu amo pizza de cogumelos.
Peter pisca, pego de surpresa, e tenta mudar de assunto.
— É… mas você sabe, eu viajei bastante quando era mais novo.
Nicole apoia o queixo na mão, entrando no jogo.
— Sério? Parece legal.
— É… tem seu lado bom, mas também tem o ruim. Um monte de vacina, idioma diferente…
Nicole sorri.
— Mas e aí? Muitas histórias… interessantes?
Peter sorri, tentando recuperar o controle.
— Nem tantas assim… mas teve uma vez, quando eu tava no Marrocos...
Antes que ele continue, uma voz o interrompe.
— Peter?
Ele olha e trava por um segundo.
— Bia.
Bia se aproxima, olhando entre ele e Nicole.
— Então… tá tudo certo pra hoje à noite?
Peter fica sem reação, claramente sem graça.
Nicole cruza os braços, já desconfiada.
Bia dá um sorriso irônico e olha pra Nicole.
— Deixa eu adivinhar… — ela imita o tom dele — “Uma vez, quando eu estava no Marrocos…”
Nicole olha pra Peter.
— Era exatamente isso que ele tava falando.
Bia revira os olhos.
— Ele sempre conta essa história. Diz que fez amizade com um garoto que deu uma pulseira pra ele.
Bia lança um último olhar para Peter e sai.
O silêncio pesa na mesa.
Nicole encara Peter, séria.
— Inacreditável. — ela se levanta, pegando a bolsa — Isso tudo era só papo furado. Ela balança a cabeça, decepcionada. — Não acredito que quase caí nessa.
Nicole sai sem olhar pra trás.
Peter fica sentado, sem reação, percebendo que acabou de estragar tudo.
No dia seguinte na escola, Agnes e Lory conversam perto da sala.
Agnes ajusta a mochila no ombro, olhando pra Lory.
— Lory, não esquece do nosso trabalho de português, tá?
Lory sorri de leve.
— Relaxa, não esqueci, Agnes.
Agnes abre um sorriso animado.
— Ótimo! Eu passo lá na sua casa depois da aula. — ela faz uma pausa, empolgada — Você é a melhor parceira que alguém pode ter. A gente vai tirar um A+ nesse trabalho.
Lory ri baixo, entrando no entusiasmo dela.
— Com certeza, Agnes. A gente arrasa.
Mais tarde, Peter está encostado com Di no corredor. Nicole passa por perto, e ele a acompanha com o olhar.
— Talvez seja mais difícil do que eu pensei encontrar a garota certa…
Di olha pra ele, direto.
— Cara, esquece ela. Tem um monte de gente legal afim de você nessa escola.
Peter continua olhando na direção de Nicole, pensativo.
— O problema é que eu estraguei tudo com ela. Ela não confia em mim.
Di dá um leve tapa no ombro dele.
— Então fala com ela. De verdade. Sem joguinho.
Peter respira fundo, como se tomasse uma decisão.
— Tá.
Ele se afasta e vai até Nicole.
— Nicole, espera.
Ela para, mas não se vira de imediato. Quando olha pra ele, a expressão é fechada.
— O que foi?
Peter passa a mão no cabelo, nervoso.
— Sobre o que aconteceu no Luca’s… não foi bem o que pareceu.
Nicole cruza os braços, sem muita paciência.
— Ah, não?
— Eu ia terminar com a Bia — ele continua rápido — Eu só… não queria fazer isso por mensagem.
Nicole levanta uma sobrancelha, cética.
Peter se aproximar um pouco mais.
— Eu sei que parece errado, mas eu queria fazer as coisas direito dessa vez.
Ela segura o olhar dele por um instante… depois balança a cabeça, sem acreditar.
— Você nem sabe o que é “certo”, Peter.
Nicole se vira e sai, Peter vai atrás dela.
— Você tá certa… eu sou um pegador. — ele dá um sorriso, sem graça — Ou pelo menos já fui.
Ela para, mas não se vira totalmente.
— A única vez que eu namorei alguém de verdade. Ele quebrou meu coração. Eu fiquei péssimo. — Ele solta um riso curto. — Cheguei até a escrever um poema. Horrível, inclusive.
Nicole solta um quase sorriso, mas tenta esconder.
Peter respira fundo, ficando mais sincero.
— Mas sobre o que aconteceu no Luca’s… você tá errada. Você tem que confiar em mim Nicole. Eu normalmente não me esforço assim… e, pra ser sincero, isso me deixa meio nervoso. Então… você podia me dar outra chance?
Nicole o observa em silêncio por alguns segundos, avaliando.
Peter sustenta o olhar, esperando.
— Então?
Ela não responde. Em vez disso, começa a andar de novo.
— Você vai ter outra chance… — ela falou, por cima do ombro — quando eu decidir que você merece.
Ela se afasta… mas um pequeno sorriso aparece no rosto.
Lory e Dani estão se beijando perto de uma árvore. O beijo se alonga até Lory se afastar, rindo de leve, ainda sem fôlego.
— Nossa… sua capacidade pulmonar melhorou, hein?
Dani sorri, meio convencido.
— Sou titular do time agora. Tô jogando direto.
Lory ri.
— Então no próximo jogo eu vou estar lá, torcendo por você.
Dani passa o braço em volta dos ombros dela, puxando-a um pouco mais pra perto.
— Então… sobre hoje à noite. — ele hesita um segundo — Eu tava pensando… já que sua mãe vai estar fora…
Lory olha pra ele, já entendendo.
— Sim…
— Talvez eu possa ir lá pra sua casa.
Ela desvia o olhar por um instante.
— Hum…
Dani percebe na hora e se afasta um pouco, ficando de frente pra ela.
— O que foi?
Lory abaixa a cabeça, escolhendo as palavras.
— Na verdade… eu tava pensando em ficar um pouco sozinha hoje à noite.
— Por quê? — ele franze a testa — Você não quer que eu vá?
— Não é isso. Eu só… quase nunca fico com a casa só pra mim. E agora que minha mãe vai sair, eu queria aproveitar, sabe? Ficar de boa…
Dani cruza os braços, ainda sem entender.
— Ficar de boa como?
Lory tenta explicar, meio sem jeito.
— Sei lá… lavar roupa, ver TV, pedir comida japonesa, dormir cedo… — Ela para e observa a expressão dele. — Você ficou bravo?
Dani solta um suspiro curto.
— Por que eu ficaria bravo? Você só… quer passar a noite sozinha.
Lory dá um passo mais perto, tentando suavizar.
— Amanhã eu sou toda sua, tá? O dia inteiro. Da manhã até a noite. Só não fica chateado.
Dani balança a cabeça, ainda meio confuso.
— Eu não tô bravo. Só… não entendi muito bem.
Lory faz um sorrisinho, tentando encerrar o assunto.
— Tudo bem.
Peter está na cozinha quando Franci se aproxima.
— E aí, deu certo?
Ele balança a cabeça, frustrado.
— Não… eu não sei mais o que fazer. Preciso de uma ideia grande. Tipo… sei lá, levar ela pra um passeio de helicóptero.
Franci se aproxima, cruzando os braços.
— Grandes gestos assustam. — ela falou, direta — Você tem que ir com calma. Tenta passar tempo com ela de um jeito normal… acompanhar ela até a escola, ajudar em alguma coisa que ela goste. Entendeu?
Peter pensa por um segundo e concorda.
— É… faz sentido.
Franci sorri, satisfeita.
— Ótimo. Agora eu preciso ir ver a Lila. O namorado dela terminou com ela.
Ela sai, e Peter fica ali, pensativo… até um sorriso surgir, como se tivesse tido uma ideia.
Mais tarde, Nicole está no trabalho, cuidando de várias crianças que brincam pelo lugar. Ela anda de um lado pro outro, atenta a tudo.
Ela se aproxima de uma das ajudantes.
— Tá tudo certo com os brinquedos? Não quero que falte nada.
— Tá tudo certo, chefe.
A ajudante se afasta, levando algumas crianças pela mão.
Nicole bate palmas, chamando a atenção.
— Pessoal, todo mundo sentado no círculo!
As crianças correm e se acomodam, animadas. Nicole se senta próximo, sorrindo.
Nesse momento, Peter entra no local. Ele observa a cena por um instante… e então se aproxima.
— Tem espaço pra mais um?
Nicole levanta o olhar, surpresa.
— O que você tá fazendo aqui? Achei que você tava ocupado no “melhor restaurante da cidade”.
Peter segura o olhar dela, mais sério dessa vez.
— Eu não podia esperar.
Ela franze a testa, curiosa.
— Esperar o quê?
Ele sorri de leve.
— Pra passar um tempo com você.
Nicole o encara por um segundo… tentando entender se ele tá sendo sincero.
Um garotinho puxa a camisa do Peter.
— Tio, vem brincar com a gente!
Peter olha pra Nicole, meio sem jeito.
Ela dá um sorrisinho, cedendo.
— Vai lá, “tio”.
Ele ri e vai até as crianças.
Logo, elas pulam em cima dele, rindo e puxando ele pra brincar. Peter entra na brincadeira sem hesitar.
Nicole observa a cena, um sorriso aparecendo aos poucos, dessa vez, sem desconfiança.
Lory e Agnes estão estudando na sala de estar.
— Eu acho que é isso que ele quis dizer nesse trecho — disse Lory, apontando para o livro.
Agnes inclina a cabeça, pensativa.
— Também acho… fica tudo meio intenso, né?
A campainha toca.
Lory se levanta.
— Deve ser a comida.
Agnes sorri, animada.
— Ainda bem, tô morrendo de fome.
Lory vai até a porta, abre… e vê Johnny no portão.
O sorriso desaparece na hora.
— O que você quer?
Johnny respira fundo, tentando se controlar.
— Qual é o seu problema, Lory?
Ela franze a testa e se aproxima do portão.
— Do que você tá falando?
Ele a encara, sério.
— Você sabe. Você e sua amiga foram lá em casa ontem à noite e jogaram ovos no quintal.
Lory cruza os braços, defensiva.
— Você tá maluco? Ontem à noite eu tava aqui.
Johnny balança a cabeça, sem paciência.
— Para de mentir. Eu vi pelas câmeras. Mesmo com o rosto coberto, dava pra reconhecer vocês.
Ele faz uma pausa, o tom mais pesado.
— Minha avó tava lá… ela ficou assustada.
Lory perde a postura por um segundo.
— Sua avó?
— Sim, Lory. Minha avó.
Antes que ela responda, o celular dela toca. É Dani.
Ela atende rápido.
— Alô?
— Oi.
— Ah… oi. Onde você tá?
— Tô indo aí te ver. Se não for incômodo.
Lory fica tensa.
— Agora?
— Eu sei que você queria ficar sozinha, então vai ser rapidinho. Só quero te ver.
Ela olha de canto para Johnny.
— Dani, eu…
— Tô aqui perto. Nem vou entrar, prometo.
Lory tenta se explicar, nervosa.
— Mas eu tô um desastre, sério… você nem vai me reconhecer.
Dani ri do outro lado.
— Você sempre tá linda.
Ela respira fundo.
— A Agnes tá aqui. A gente tá fazendo um trabalho de português.
— Beleza, então não vou atrapalhar sua “noite sozinha”. Chego aí em um minuto.
Ele desliga.
Johnny encosta no portão, observando.
— Era seu namorado, né?
Lory vai até ele, apressada.
— Era. Ele tá vindo, você precisa ir.
Johnny dá um passo pra trás, mas não sai.
— Tá bom… mas você ainda me deve uma explicação.
Ele se vira, mas para de repente, olhando para frente.
— Lory… ele já chegou.
Lory abre o portão e vê Dani se aproximando.
— Dani?
Ele olha de um para o outro, desconfiado.
— Que diabos tá acontecendo aqui?
Agnes percebe o clima e vem até a porta, tentando aliviar.
— Oi! A gente tá fazendo um trabalho de português.
Dani não desvia o olhar de Johnny.
— E esse cara tá fazendo o quê aqui?
Lory fica em silêncio, travada.
— Você disse que ia ficar sozinha — Dani continua, a voz subindo — Aí eu chego e você tá aqui com ele?
Lory se aproxima, aflita.
— Dani, eu juro, eu não…
— Não o quê? — ele corta — Não sabia que ele vinha? E na escola? O que vocês estavam conversando?
— Eu tava…
Dani perde a paciência.
— Você tava o quê? Fala!
— Não grita comigo!
— Você tá mentindo!
— Não tô! Eu tô tentando te explicar!
Agnes dá um passo à frente, decidida.
— A culpa é minha.
Os dois olham pra ela.
— A culpa é minha por ele estar aqui. A gente tá ficando… e a Lory só deixou a gente se encontrar aqui.
Dani pisca, surpreso.
— Você… e o Johnny?
Ele olha pra Lory.
— Isso é verdade?
Lory hesita por um segundo… e concorda com a cabeça.
— É.
Dani solta um riso curto, ainda tentando processar.
— Agnes e Johnny?
Johnny dá um meio sorriso.
— Ué… só você pode gostar de nerd?
Lory lança um olhar rápido pra ele, meio irritada.
— Sério?
Dani finalmente relaxa um pouco.
— Bom… se você diz, então eu acredito.
Lory força um sorriso.
— É.
Dani se aproxima e segura a cintura dela.
— Foi mal por ter gritado.
Ela o beija. Johnny desvia o olhar, desconfortável.
Agnes aproveita o momento e começa a se afastar.
— Bom… eu já vou indo.
Ela passa pelo portão e olha pra Johnny.
— Vem comigo?
Ele sorri.
— Claro.
Os dois saem juntos.
Dani observa por um instante, depois olha pra Lory.
— Então… Agnes e Johnny?
Lory dá um sorrisinho.
— Pois é.
Dani ri.
— Até os valentões se apaixonam.
Lory desvia o olhar por um segundo, o peso da mentira aparecendo.
— É…
Dani dá um passo pra trás.
— Eu já vou.
Lory segura a mão dele.
— Não quer ficar um pouco?
Ele balança a cabeça.
— Melhor não.
— A gente se vê amanhã?
— Claro.
Ela sorri.
— Até amanhã.
— Até.
Eles se beijam, e Dani vai embora.
Lory fica parada por um momento… e então solta um suspiro aliviado, mas carregado.
Mais tarde, Nicole e Peter caminham pela calçada, ainda rindo.
— Aquelas crianças se divertiram muito hoje — comentou Nicole, animada.
Peter sorri, relaxado.
— E eu também. Eles são muito engraçados.
Eles continuam andando até pararem em frente a uma pizzaria. Nicole olha o lugar, curiosa.
Antes que ela diga algo, um garçom se aproxima.
— Sua mesa está pronta, senhor Peter.
Nicole levanta as sobrancelhas, surpresa, enquanto ele apenas sorri.
— Vem.
Eles entram e se sentam.
Nicole olha em volta, ainda meio desconfiada, mas impressionada.
— Você já tinha planejado isso?
Peter dá de ombros, tentando parecer casual.
— Talvez.
Ele aponta para o cardápio, mas logo o garçom chega com uma pizza.
— Pizza de cogumelos, como o senhor pediu.
O garçom se afasta.
Nicole olha pra pizza… depois pra Peter.
— Você é persistente, né?
Ele sorri.
— Só quando vale a pena.
Os dois pegam uma fatia. Nicole dá uma mordida e fecha os olhos por um segundo.
— Hum… — ela abre um sorriso — Ok, isso é muito bom.
Ela olha pra ele, mais leve agora.
— Sabe… isso aqui tá com cara de um ótimo primeiro encontro.
Peter levanta uma sobrancelha.
— Primeiro encontro, é? Então quer dizer que eu consegui?
Nicole sorri, sem responder diretamente.
Os dois se encaram por alguns segundos. O clima muda, mais silencioso, mais próximo.
Eles se inclinam devagar… quase se beijando.
De repente, o celular de Peter vibra.
Ele olha de relance: é Bia.
Nicole percebe na hora.
— Quem é?
Peter bloqueia o celular e deixa de lado.
— Ninguém. — ele volta o olhar pra ela — Onde a gente tava?
Nicole segura o sorriso.
— Acho que você tava prestes a fazer algo bem espontâneo.
Peter sorri… e dessa vez não deixa nada interromper.
Ele se aproxima e a beija.
Nicole corresponde, sem hesitar.
Na manhã seguinte, Dani chega à casa de Lory.
Lorena abre o portão e se aproxima, simpática.
— Dani, oi.
Ele sorri, um pouco sem graça.
— Oi.
Ela abre mais o portão, dando espaço.
— A Lory já tá vindo. Vocês vão passar o dia juntos, né?
— É…
Lorena observa o rosto dele por um instante, como se estivesse tentando entender o clima.
— Ela me contou o que aconteceu ontem à noite… — disse, com cuidado — Ela ficou se sentindo péssima.
Dani abaixa o olhar por um segundo e balança a cabeça.
— Eu sei.
Lorena continua, num tom mais firme, quase protetor.
— Ela não teve nada a ver com o Johnny ter aparecido. Acredita em mim, ela não queria ele aqui.
Dani respira fundo e assente.
— Eu sei… ela me explicou. — Ele força um pequeno sorriso. — A Lory não mentiria pra mim.
Lorena segura o olhar dele por um instante, depois concorda com a cabeça.
— Não… não mentiria.
Dani solta um suspiro leve, parecendo mais tranquilo… mas ainda com um resquício de dúvida no olhar.
Sinopse Próximo Capítulo – Jogo do Amor
Lory se sente sufocada e começa a ignorar Dani. Peter e Nicole agora estão em um relacionamento, mas sua agenda agitada significa que eles têm poucas oportunidades de se verem, especialmente quando ela é selecionada para o estágio de gestão.
Atualizado em: Ter 22 Set 2026
