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Regressão

Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Você se lembra da Eulália, não?
- Aquela que grudava nas pessoas como carrapato?
- Essa mesma! A emocionalmente dependente. Sabe o que vem acontecendo com ela, à medida que vai envelhecendo?
- Está piorando. É o que sempre acontece. A gente pensa que a idade traz alguma maturidade, mas percebo que estamos enganados.
- Pois acertou. Ela reclama constantemente que está só, que se sente só. Quem vai querer contato com uma pessoa que nos sobrecarrega com a sua existência?
- Ela sempre foi de procurar nos outros uma muleta para caminhar na vida. É emocionalmente instável e entende que os outros existem para ajudá-la.
- Você sabe que ela é psicóloga?
- Sei. E é inteligente. Como ela não se questiona acerca do seu estado psíquico? Como ela não procura ajuda profissional?
- Ultimamente ela tem ficado irada quando é contrariada. Se ela manda mensagem e não recebe resposta em minutos, explode. Se manda um post que não é curtido, reclama. Somos obrigados a dar likes no que ela posta.
- E com esse comportamento ela espera que as pessoas se aproximem dela?
- Se eu respondo uma mensagem, ela manda logo mais duas e depois, mais duas. Ela não tem medidas. Se não me manifesto, fica revoltada, agressiva.
- O mental dela regride à fase de criança que não aprendeu a lidar com o não. O que essa psicóloga, de 67 anos, aprendeu na vida?
- Aprendeu a ser da extrema-direita, a ser homofóbica e racista. E religiosa.
- Só há uma saída: ignorar as mensagens dela por completo.
- Se ela não cuida de sua saúde mental, eu quero cuidar da minha. Não quero ser mais um caso dos unidos pela patologia. Quero evoluir e não regredir.
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Atualizado em: Dom 9 Ago 2026

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