person_outline



search

REFLEXÕES NOTURNAS

 24 de julho de 2026, 21h20min
Estou aqui de novo para escrever. O ano caminha a passos largos, e não há como conter sua velocidade implacável.

Daqui a poucos dias, agosto se infiltrará entre nós. Chega rapidamente e, mais uma vez, me aproxima de uma nova primavera. A cada instante que passa, cresce em mim a certeza de que minha vida já se encaminha para a etapa final de seu ciclo.

Ontem, meu primo José Teodoro, meu colega dos tempos do Seminário Nossa Senhora de Fátima, perdeu seu filho Fabiano, de apenas 46 anos. O maldito câncer, impiedoso e sem pedir licença, ceifou a vida desse filho tão querido.

Fiquei pensando em como, ao longo da existência, estamos sujeitos às mais dolorosas surpresas. De um momento para outro, acontecimentos inesperados podem surgir e mergulhar nossa alma na tristeza. Ninguém está imune a isso. Somos surpreendidos quando menos esperamos, sem qualquer aviso.

Na despedida de Fabiano, às 19 horas de ontem, um profundo clima de tristeza e consternação tomou conta de todos os presentes. Pai, mãe, irmãos, tios, primos e tantos amigos não conseguiram conter as lágrimas. E como não se emocionar diante de uma perda tão precoce?

Meu primo querido, José Teodoro, inconsolável, recebia a todo instante o abraço afetuoso de parentes e amigos, que buscavam lhe oferecer palavras de carinho, solidariedade e conforto. Fiquei imaginando como estaria seu coração naquele momento. Perder um filho... tão jovem. Meu Deus!
Entretanto, percebi que a misericórdia divina agia de maneira intensa em seu espírito. Mesmo diante da dor dilacerante da despedida, Teodoro nos dizia que Deus, provavelmente, precisava de Fabiano na outra dimensão, onde haveria uma missão diferente para ele. Confessava, porém, que não conseguia compreender qual seria essa missão.

Ao retornar para casa e repousar a cabeça no travesseiro, demorei a adormecer. Aquele ambiente de despedida, que testemunhei profundamente comovido, permanecia vivo em minha mente. A cena havia inundado minha alma de uma tristeza difícil de descrever.

Ao concluir estas linhas, reafirmo que a vida continua. Aqueles que Fabiano deixou precisam seguir adiante, apesar da saudade e da dor. Creio que ele próprio, agora em sua viagem para a eternidade, não se sentiria feliz se soubesse que seus entes queridos permanecessem presos ao sofrimento, inertes, permitindo que a vida lhes escapasse entre as mãos.

Acrescento, por fim, que o tempo assumirá mais uma de suas silenciosas responsabilidades: suavizar as feridas do coração e fazer com que a vida, apesar de tudo, recupere pouco a pouco o seu brilho. A saudade permanecerá, mas a esperança também. E é ela que nos ajuda a continuar caminhando.

LUIZ GONZAGA PEREIRA DE SOUZA
 
Pin It
Atualizado em: Dom 9 Ago 2026

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br