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A luz do sol, forte, incidia pela janela de vidro com a cortina entreaberta. Ela brincava com o cabelo devagar, enrolando aquela mecha de tom castanho-avermelhado-queimado-de-sol. Tinha o olhar distante, de quem já cansou de procurar no horizonte alguém que resolveu não aparecer. Alternava entre olhar a tela do celular e a do computador, à espera. E esperava, como se nada mais tivesse a fazer, mesmo que esperar não fosse o certo, mesmo que de esperar já estivesse cansada. Passaram-se alguns minutos desde que se lembrava de estar esperando - ou talvez tivessem sido horas, ela já não mais saberia dizer - quando a campainha tocou. Enquanto corria para atender, mal pôde ouvir o toque do celular - a música que ela esperara tanto ouvir, o toque escolhido especialmente para ele. Atendeu à porta, mas era apenas o carteiro. Contas, propostas de cartão de crédito, mais contas. E um pequeno embrulho, do tipo que cabe na palma da mão - papel brilhante prateado e laço de fita azul. Andou devagar até o quarto, o pensamento acima das nuvens, a caixinha na mão esquerda, equilibrado com todo o cuidado. Sentou na cama, desfez o laço, abriu o embrulho. Dentro, um anel prateado e um pequeno cartão, com poucas palavras escritas numa caligrafia um tanto confusa, mas perceptível à primeira olhada, para ela. Lembrou do celular, olhou a mensagem que havia chegado. Vejo você semana que vem. E obrigada por me aturar, por todo este tempo, aí e não estando aí. Morrendo de saudades. É só você na minha mente. Your love is like a bomb, blowin' my mind. O timing perfeito, as palavras perfeitas. Um sorriso surgiu no rosto dela - nos lábios e nos olhos. Ele sempre fazia valer qualquer espera.
"You turn me on, your love is like a bomb, blowing my mind. Love u ever, D."
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