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Nova República : as novidades do que não mudou. Enviar por e-mail
Artigos Científicos - Ciências Sociais

Escrito por Hal Wildson
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Seg, 12 de Janeiro de 2009 18:22
APRESENTAÇÃO TEMÁTICA

Os primórdios da história republicana brasileira prendem-se a uma série de descasos e

distorções sociais. Desde os tempos em que éramos colônia portuguesa, aprendemos a normalizar o autoritarismo e opressão da classe dominante. Perdemos nossos valores ideológicos e passamos a pensar da forma em que queriam que pensássemos. Nossa cultura aos poucos fora se degradando por interesses corruptos e capitais da elite manipuladora. Fomos aprisionados a uma forma de pensar que não era nossa, e que automaticamente nos tirou a atitude crítica: "Povo sem cultura é povo sem alma". Justificativamente vamos embarcar na desmistificação e libertação de nossos pensamentos, e protestantemente assumir uma postura cética dentro da sociedade, a partir da constituição da nossa mistificada: "Nova República".

Inicialmente, o contato do homem branco ao índio foi de certa forma ironicamente pacífico, os nativos acreditavam quê "os homens montados em seus monstros e suas arcas flutuantes eram criaturas enviadas por Deuses"; contudo, logo depois de torturas e opressões, os nativos rebelaram - se aos invasores pela defesa de sua terra e de seus valores.

Os missionários foram desde sempre importantíssimas peças para o "domínio" dos nativos da América; intencionados em deslocar e privar o índio de sua cultura, os colonos obrigavam-nos a se vestirem como os europeus, a falarem a língua dos portugueses, a seguirem a religião católica; mediante a violência, e a exploração do trabalho. Foram eles exemplos denotativamente eurocêntricos.

Logo, com a super produção e o comércio desordenado, os colonos apelaram para o tráfico de Africanos. Os povos do continente africano eram tirados de suas terras para trabalharem nas lavouras e canaviais brasileiros.

Muitos dos índios e Africanos resistiram ao domínio, à destruição e à mudança de sua cultura, seus costumes e suas tradições. Os hábitos dos índios e dos africanos transculturaram-se, e foi devido a isso que o Brasil foi formando a sua "cara cultural";entretanto, os valores que acabaram predominando foram os europeus; ideologias frutos de tortura, discriminação, inferiorizamento e manipulação de um povo, um povo corrompido e massificado.

De acordo com a construção da sociedade brasileira, a sociedade foi se moldando aos poucos, mediante a um conturbado contexto histórico; os valores eurocêntricos aperfeiçoavam-se, e a cada vez mais as ideologias européias tomavam conta do solo brasileiro.

Os pensamentos generalizados, homogêneos e discriminantes foram valores impostos pelos conceitos europeus, e ainda hoje fazem parte da sociedade em que vivemos; o único modo de se livrar desses falsos dogmas empregados na sociedade, é conhecendo a verdadeira história, analisá-la de modo coerente e parcial; educando e ensinando uma sociedade ética, sem preconceito, sem discriminação; uma sociedade não se corrompa ou renegue seus traços culturais. Uma sociedade que tenha orgulho de ser brasileira. E este trabalho pedagógico é o primeiro passo para isso :uma viagem crítica e histórica à construção da sociedade brasileira.

Vivemos uma nova república? Será que consideramos o significado da palavra nova? Pode-se dizer que o Brasil tenha passado por períodos de transformações e evoluções sociais, mas que ainda não apresentam nenhuma grande novidade.

Em pleno século XXI, perpassa a ridicularidade imaginar que o povo brasileiro ainda não acordou para a realidade em que vivemos. Mais de 500 anos da construção do território nacional não foram suficientes para que aprendêssemos a pensar sozinhos. Ao contrário do que imaginamos somos contribuintes natos de uma sociedade ociosa e indigna de opinião.

Os noticiários, telenovelas e programas de televisão fazem parte de uns dos mais eficazes meios de manipulação social. São através deles que muitas vezes retardamos gradualmente nosso espírito critico e sociológico. Simplesmente empacamos:

" Talvez esteja aqui o segredo de existir uma sociedade com tantas contradições e injustiças, e de não acontecer uma transformação rápida e profunda como era de esperar. A comunicação parece ser o instrumento mais importante de resistência à mudança e de manutenção dessa situação de domínio e exploração." (Guareschi: A.Pedrinho- Sociologia Critica/Alternativas e mudanças.36° Edição- pág 99/cap XVIII)

Será que tudo o que vemos na televisão è absolutamente real?

Será que buscamos saber mais do que eles querem que a gente saiba? Creio que não; alias, é tão mais fácil assistir a programação global, isso é o conveniente.

Fomos infectados pelas trapaças e mentiras que ajudaram a construir esse país: Uma Colônia primitiva; um Império autoritário; uma República bitolada; e logo uma ´´ Nova Republica `` que desta vez faz um misto de todos os mais vergonhosos exemplos desta nação.

´´ No Brasil, não se faz política. Faz-se politicagem. Em vez do bem comum, vigora em plano o bem pessoal, a demagogia, o ardil e a mentira. Silenciosamente e entristecido, acompanhei a idealização da chamada ´´ Nova República ``. (...) Inegavelmente, é saudável se falar em democracia. Mais interessante, se buscássemos seu real sentido etimológico; muito mais importante, se a exercitássemos de maneira consciente e responsável, cumprindo - em primeiro lugar - nossos deveres de cidadãos. `` (Marco Pollo Giordani; impresso no livro de sua autoria: Brasil Sempre).

´´ Nova Republica? As novidades do que não mudou ``: o subjetivismo do título nos remete à duvida da situação em que nos contentamos.Uma sátira ao meio social e sua constituição, uma dualidade do ´´ velho `` e o realmente novo; buscando, ainda que de forma tão simples, a reação de uma nova postura mediante à sociedade. Não somente em prol das transformações do patamar em que vivemos, mas, trabalhando na construção das bases da realidade que poderão nossos filhos viver.

Há aproximadamente meio século foram tiradas das escolas as disciplinas de sociologia, entre outras ligadas à visão critica da sociedade; (entretanto, pode-se ressaltar que tais disciplinas, atualmente já são obrigatórias no currículo escolar). Um período em que a atitude crítica significava a opressão do governo. Hoje, portanto, temos a liberdade de criticar e nos colocarmos a frente, mas continuamos parados. Atualmente essas disciplinas estão novamente nas escolas, mas do que vale ensinar á jovens aquilo que eles não querer aprender? Tentaremos fugir da conduta quase sempre tradicionalista das escolas e abordar questões polêmicas e tão pouco colocadas em nosso corpo escolar; questões que envolvem discussão e além de tudo grande conhecimento do assunto; assunto este, que justifica-se pela quebra de clichês ideológicos de nossa sociedade: frutos de um passado colonial.

Não só uma viagem histórica à construção da sociedade brasileira, mas um roteiro de críticas e argumentações sobre a sociedade e ao nosso próprio povo. Viemos transformar a questão escolar como um verdadeiro objeto de mudança, e para isso devemos continuar fugindo de uma escola abarrotada de interesses e influências contrárias ao bem estar social; e que seja usada para o aproveito pessoal dos grupos que detêm o poder. Houve tempos em que a escola era utilizada como meio de doutrinação e preparação capitalista, e ainda sofremos reflexos disso:

" Nunca houve tantos estudantes como hoje. Inclusive gente do povo quer estudar(...) Ensinam a ler e escrever a gente que só deveriam aprender a manejar instrumentos(...) O bem da sociedade exige que o conhecimento das gentes não vá mais longe do que é necessário para a sua própria ocupação diária. Todo homem que saiba além de sua rotina diária, não será nunca capaz de continuar paciente e atentamente esta rotina(...)" ( La Chalotais, na França, em 1766).

Fica claro através da afirmação anteriormente destacada, a importância do aparelho ideológico escolar dentro da própria sociedade, em aspectos manipuladores ou massificantes. Escrevia, Bernard de Mandeville, no séc XVIII:

"A fim de se conseguir, mesmo em circunstâncias difíceis, uma sociedade harmônica e um povo dócil. Nada melhor do que a existência de um grande número de analfabetos e de pobres; os conhecimentos alargam e multiplicam os desejos, e quanto menos coisas uma pessoa desejar, mais fácil lhe será obtê-las".

Em apresentação colocamos a nossa inegável procura pela atitude crítica e sociológica. Buscamos desfazer mitos que foram esteriotipando nossa história, e que ainda hoje deixam seus reflexos em uma sociedade repleta de preconceitos e desigualdade. Visamos passar ao leitor oportunidades de pensar a respeito daquilo que somos e de como poderíamos ser; filhos ideológicos do antigo olhar europeizado, e protagonistas do futuro do nosso país. Entregamos em suas mãos a chave pra uma nova interpretação do mundo em que vivemos; chegou a hora, abra a porta.



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Última atualização em Ter, 13 de Janeiro de 2009 12:33
 
Comentários (8)
  • Cezar Ubaldo
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    Meu caro amigo. É com prazer que lhe parabenizo pelo artigo e agradeço-lhe o convite para analisar o seu primeiro trabalho publicado. Estou enviando as minhas considerações em Mensagem Privada. Abraços.
  • Everton Borges
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    Sem dúvida o melhor texto que já li no ano. E há muito tempo não vejo um igual! è daqueles nos faz querer ler mais, e nos questionar sobre nós mesmo... concerteza é um texto que choca a gente sobre tudo! Adorei, e quero ver a continuação.... abraços rapz! 8) :grin :)
  • maquiavel
    avatar
    Bom, como dizia nosso caro Marx "o novo não nasceu porque o velho ainda não morreu". O brasil se diz um país democrático e aspirante a potência mundial, porém não resolveu problemas internos que já existem de longa data como a desigualdade social e a questão da educação. O artigo é bem interessante pois demonstra como a massificação ainda é uma característica marcante da nossa sociedade!! Parabéns!!!!
  • Pitz
    avatar
    Meu caro, este texto é primoroso! Exatamente o que penso a respeito de todo o processo de formação da pátria, até a manipilação popular dos dias atuais. As tapadeiras tupiniquins! Mas aos poucos está melhorando, a tendência de 2000 pra cá é o novo empurrar o velho , algo bem intestinal... A internet tem operado milagres, divinais e demoniacos! Se não acreditar em solução tô perdido! Vamos com fé e ação. Parabéns, e obrigado pelo convite.
  • Hal Wildson
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    É bom saberem que gostaram tanto, fiko muito feliz. Foram praticamente 2 anos de pesquisa pra chegar até esse ponto. Mas ainda considero que há muito pra ser feito. Abraços.
  • Hal Wildson
    avatar
    è Bom saber! kkkkkkk :upset
  • Abreu
    avatar
    O brasileiro é um povo de aceitação. Mas, atrasados ou não, o avanço tecnológico está a mudar em passos largos essa passividade crônica, a modificar o pensar. Texto reflexivo e atual, merece ser lido, debatido e analisado continuamente. Parabéns!
  • Escritor Tércio Sthal  - Enfim, li
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    Seu texto é rico, é primoroso, valeu a pena ler. Pena que pouca escreva artigos científicos com tanta propriedade como você. Abraços, não pare de escrever, por favor.
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